ARGENTINA- A esquerda Argentina barra a reforma da previdência de Macri”

NOVA REDAÇÃO:

ATUALIZADO; no dia 18/12/17 às 18:h04min por SEGURANÇA PRIVADA Jucelino…

Esquerda argentina barra a reforma da previdência de Macri.

André Augusto
Depois de uma longa jornada que começou cedo na Argentina, contra a tentativa de votação da reforma da Previdência proposta pelo governo contra os aposentados, os trabalhadores mobilizados conseguiram um triunfo importante pela luta: barraram a votação da reforma da previdência, impondo uma enorme derrota política ao governo de Mauricio Macri.

Com um bloqueio de rua organizado pelo Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) – organização irmã do MRT, e parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – e o sindicalismo combativo, assim como ações de luta em todo o país que se enfrentaram contra forte repressão policial, que seguiu pela tarde com uma grande manifestação ao redor do Congresso Nacional militarizado pelo governo (com a mesma polícia que assassinou Santiago Maldonado), o governo Macri foi obrigado a cancelar a sessão que votaria a reforma da Previdência.

A legitimidade eleitoral conquistada pela direita nas eleições – que aconteceram há menos de 2 meses – recebeu um golpe de magnitude pelo caráter reacionário da reforma da previdência e a resistência que provocou.

Na Argentina, como no Brasil, o governo federal busca roubar milhões de trabalhadores atacando a previdência social, especialmente dos aposentados. No Brasil, nos enfrentamos contra a proposta de reforma da Previdência de Temer, e por isso é sumamente importante assimilar os métodos com os quais os trabalhadores argentinos fizeram a direita engolir sua reforma (não em vão, Lênin em 1902 sugeria que os trabalhadores de um determinado país devem assimilar as experiências mais avançadas do movimento operário internacional, para aperfeiçoar sua luta e irmaná-la).

Operativo policial no centro de Buenos Aires.

Em primeiro lugar, algumas condições se assemelham: no Brasil como na Argentina, as direções sindicais majoritárias são parte de verdadeiras burocracias operárias – “trincheiras” da burguesia no interior do movimento operário, diria Gramsci – e operam para desorganizar, desmobilizar e desmoralizar a luta independente dos trabalhadores contra a ofensiva dos capitalistas. No Brasil vimos isso no decorrer de 2017, com a traição da Força Sindical, UGT, CUT e CTB à greve geral do 30 de junho, e à greve nacional do 5/12. Na Argentina, a CGT (Confederação Geral do Trabalho) não moveu um dedo para organizar a luta que ontem foi capaz de barrar a votação da reforma da previdência.

Ao contrário do que dizia a Folha de S. Paulo acerca da “mobilização convocada pelas centrais sindicais argentinas”, o certo é que a sessão da Câmara dos Deputados foi cancelada pela mobilização que expressou o repúdio de massas ao ataque aos aposentados, apesar da paralisia completa das centrais sindicais burocráticas.

Capa da Folha sobre os enfrentamentos da esquerda argentina que barraram a reforma da previdência

O que permitiu, então, uma jornada como a de ontem? A existência de uma esquerda revolucionária de combate, com inserção no movimento operário. O PTS e o sindicalismo combativo agrupado no Movimento de Agrupações Classistas (MAC), junto a outras organizações que são parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT), estiveram na linha de frente do enfrentamento contra a repressão de Macri aos que denunciavam o roubo da reforma da previdência. Antecipando-se à votação, com mobilizações prévias, e cercando o Congresso Nacional antes da sessão, a esquerda argentina – que tem como grandes referentes o deputado federal Nicolás del Caño (PTS) e a legisladora de Buenos Aires, Myriam Bregman (PTS) – aceitou a batalha e se preparou com antecedência para desafiar nas ruas as intenções do governo ajustador.

Houve enfrentamentos em distintos lugares do país, em diversos estados em que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores possui importantes posições parlamentares e utiliza essas bancadas a serviço do desenvolvimento da luta extraparlamentar dos trabalhadores – algo quase incompreensível para a esquerda brasileira. Essa intervenção do PTS nas cidades e províncias teve ampla cobertura da mídia nacional.