Piraquê-To. Empresa que venceu licitação em obras de estradas na cidade, só tinha dois funcionários e nem uma máquina aponta investigação da PF.

NOVA REDAÇÃO:

ATUALIZADO;  no dia 28/09/17 às 18:h24min. Por SEGURANÇA PRIVADA Jucelino…

Empresa que venceu licitação de obras em estradas tinha 2 funcionários e nenhuma máquina, aponta investigação

Contratação foi feita pela prefeitura de Piraquê, no norte do Tocantins. PF investiga desvios de recursos públicos na prefeitura do município.

Operação da PF investiga fraudes em licitações para obras de melhoria em estradas rurais

Investigações da Polícia Federal durante a Operação Vicinalis mostram que a empresa WMC, não tinha condições de vencer uma licitação. Isso porque até dezembro de 2015, o local tinha apenas dois funcionários e nenhuma máquina que pudesse fazer o serviço licitado. A operação começou na manhã desta quinta-feira (28) e apura irregularidades na construção de estradas em Piraquê, norte do Tocantins.
A operação investiga um prejuízo de mais de R$ 100 mil aos cofres públicos. As investigações começaram neste ano com a apreensão de documentos licitatórios destinados à contratação de uma empresa para fazer melhorias em estradas vicinais. O G1 tenta contato com a empresa.
“Segundo as investigações ficou constatado que se tratava de uma prática corriqueira na Prefeitura de Piraquê, tendo em vista que os servidores informaram que nunca participaram de nenhuma reunião de licitação e somente assinavam quando era encaminhada a licitação para eles, sem conferir”, disse o delegado Tarcísio Júnior, durante coletiva.
Mais de 40 policiais cumprem 22 ordens judiciais emitidas pelo Tribunal de Justiça do Tocantins, sendo 12 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para prestar depoimento – nas cidades de Piraquê, Araguaína, São Bento do Tocantins e Palmas.
Em Palmas, a PF cumpriu três mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva. Os alvos são o engenheiro do município de Piraquê e os dois donos da empreiteira WMC. O engenheiro e um dos sócios prestaram depoimento na manhã desta quinta-feira (28). O outro dono da empresa disse que vai se apresentar nesta tarde.

Operação da PF cumpre mandados em quatro cidades do Tocantins

A investigação começou quando o prefeito de Piraquê, Eduardo Sobrinho (PMDB), esqueceu uma mochila cheia de documentos em Palmas. Essa mochila chegou primeiro no Ministério Público Federal (MPF) depois foi encaminhada para a PF.
Na casa do prefeito, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão. Ele também prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Araguaína nesta manhã.
Em nota, o prefeito disse que o contrato com a empresa foi feito na gestão anterior e que quando assumiu teria concluído a obra e aberto uma investigação. Disse ainda que respeita o trabalho da polícia e que está à disposição para esclarecer qualquer dúvida.
A PF pediu a prisão de todos os envolvidos, mas a desembargadora Ângela Prudente, negou e autorizou condução coercitiva para que eles pudessem dar esclarecimentos. Apesar do dinheiro envolvido nessa licitação ser do tesouro estadual, do governo do Estado, a PF investigou o caso porque o prefeito de Piraquê é policial civil.
Entenda
No processo licitatório, a PF constatou indícios de direcionamento e de que as obras não foram executadas. As investigações apontaram que foi pago quase todo o valor contratado 12 dias após a assinatura do contrato, mais de R$ 100 mil. A polícia também constatou que não há laudos de medição necessários para a liberação de recursos.
Uma das estradas vicinais que receberiam obras de melhoria tem 9 km e dá acesso ao assentamento Tucurumim. O convênio para as obras foi firmado ainda em 2015 entre a prefeitura e o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Tocantins (Dertins).
O nome da operação está ligado ao significado da palavra Vicinalis, que faz referência a caminho ou estrada que liga povoações próximas.