POLÍTICA- Ministro de temer diz que chantagem com dinheiro público não é chantagem.

Ministro de Temer diz que chantagem com dinheiro público não é chantagem.

NOVA REDAÇÃO:

ATUALIZADO NO; no dia 27/12/17 às 08:h10min por SEGURANÇA PRIVADA Jucelino…

O ministro Carlos Marun, responsável pela articulação do governo Temer com o Congresso Nacional, admitiu que o Palácio do Planalto está condicionando a liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal a Estados à pressão de governadores sobre  deputados federais para que aprovem a Reforma da Previdência. E, logo depois, disse que isso não se chama chantagem.

”Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei aonde. Obviamente, se são na Caixa, no Banco do Brasil ou no BNDES são ações de governo. Nesse sentido, entendemos que deve sim ser discutido com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil”, explicou o ministro.

E, depois de tudo isso, talvez acreditando que o Brasil inteiro ainda está bêbado da Sidra do Natal e não ouviria, disse – sem o menor pudor: ”Olha, eu não entendo que seja chantagem do governo atuar no sentido de que um aspecto tão importante para o Brasil se torne realidade, que é a modernização da Previdência”.

Primeiro, vale lembrar que a Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES são instituições públicas, apesar dos governantes sistematicamente as tratarem como se fossem seus donos. O que está lá depositado pertence a correntistas, investidores, trabalhadores com contas de FGTS e ao país, ou seja, a todos nós. A decisão de financiamento usando esses recursos deve ser feita obedecendo a regras claras, visando a beneficiar seus donos, investidores e, por ser estatais, a coletividade – como no caso do financiamento de moradias. E fazer isso com base no princípio da impessoalidade, previsto no artigo 37 da Constituição Federal.

Mesmo que o governo tenha rubricas totalmente discricionárias vinculadas a contas nesses bancos, às quais possa dar o destino que quiser, ainda assim essa ação extrapolaria qualquer limite republicano. No mínimo, isso deveria ser passível de uma investigação por improbidade administrativa por desvio de finalidade.

Além disso, reconhecer publicamente que uma instituição financeira está sendo utilizada como instrumento de pressão é colocar em segundo plano a qualidade de vida de cidadãos dos Estados que dependem desses recursos. E considerando que Temer busca a aprovação da reforma para manter o apoio do mercado e de grandes empresas e continuar no poder, há um claro interesse particular por trás dessa chantagem.

É deplorável quando políticos usam de expediente para tentar convencer a sociedade de algo ao invés de convocarem um debate público honesto a respeito do tema. Desde o começo, o governo federal tem usado da chantagem para passar à força uma polêmica Reforma da Previdência que não estava em nenhum programa eleito pelo voto popular e que é rechaçada pela maioria da população, de acordo com pesquisas de opinião.

De campanhas pagas pelo PMDB com imagens de cidades destruídas, passando por declarações da cúpula de governo de que as próximas gerações vão ranger os dentes e que não haverá recursos para as pensões ou de aliados afirmando que o país mergulhará num inferno sombrio de dor. O esgarçamento institucional promovido pelo processo de impeachment fez com que o Brasil trocasse o diálogo pela pura ameaça como instrumento para governar. Agora, a chantagem chega aos governadores.

Marun foi líder da tropa de choque de Michel Temer na Câmara, relator da CPMI da JBS e amigão de Eduardo Cunha – tendo visitado o ex-presidente da Câmara dos Deputados na prisão em Curitiba usando dinheiro do contribuinte. Confunde o público com o privado, tendo feito de seu cargo um trampolim para interesses pessoais. Agora, como ministro-chefe da Secretaria de Governo, deve ampliar o mercado a céu aberto.