POLÍTICA- Segundo a folha Michel Temer fez pacto com Satanás para ficar no cargo.

Segundo a Folha, Temer fez ‘acordo com o capeta’ para ficar no cargo
26 de dezembro de 2017 por esmael |

O privilegiado Michel Temer (ele se aposentou aos 55 anos com salário de R$ 30 mil) fez ‘acordo com o capeta’ para continuar no cargo. A avaliação é de Pablo Ortello, na Folha de S. Paulo.

NOVA REDAÇÃO:

ATUALIZADO; no dia 26/12/17 às 09:h34min por SEGURANÇA PRIVADA Jucelino…

O articulista cita estudo da Eurasia Group para lembrar que Temer está num distante último lugar no ranking mundial de aprovação de líderes, bem atrás do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, enredado em graves escândalos de corrupção, e de Nicolás Maduro, cuja Venezuela vive uma crise política, econômica e humanitária sem precedentes.

Professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, Ortello afirma que somente o ‘acordo com o capeta’ para explicar a “longevidade” de Michel Temer no poder.

Pablo Ortello recorda ainda que o privilegiado Temer pretende utilizar-se da impopularidade para fazer as reformas impopulares, quais sejam o fim da aposentadoria para os trabalhadores e as privatizações (doações) do patrimônio público.

“Nenhum político que dependa do voto pode ser extravagante ao ponto de se indispor cada vez mais com o eleitorado à medida que vai perdendo apoio”, crava o professor da USP. Desde, é claro, que o sujeito (no caso Temer) tenha ‘parte com o capeta’.

Leia a íntegra do artigo de Pablo Ortello na Folha:

Sem apoio popular, Temer ‘abraça o capeta’

Na última entrevista do ano, o presidente Michel Temer fez um comentário gracioso sobre como sua popularidade finalmente tinha dobrado, passando de 3% para 6%.

Ele segue, porém, como mostrou levantamento do Eurasia Group, num distante último lugar no ranking mundial de aprovação de líderes, bem atrás do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, enredado em graves escândalos de corrupção, e de Nicolás Maduro, cuja Venezuela vive uma crise política, econômica e humanitária sem precedentes.

Em uma situação normal, um presidente em fim de mandato e com aprovação tão baixa estaria buscando com todo empenho ampliar sua popularidade.

No entanto, recentemente, o presidente fez questão de retomar uma antiga observação do publicitário Nizan Guanaes de que deveria aproveitar sua impopularidade para fazer reformas impopulares.

A observação é uma variação do ditado popular, “se estiver no inferno, abrace o capeta”, uma máxima que não parece se aplicar à política, pelo menos não no seu sentido democrático. Nenhum político que dependa do voto pode ser extravagante ao ponto de se indispor cada vez mais com o eleitorado à medida que vai perdendo apoio.

Mas, obviamente, não estamos numa situação normal. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff abriu a possibilidade para Temer ascender com uma agenda nova, que não tinha sido e jamais seria referendada pelo voto.

Essa agenda, que surgiu de repente, na forma de um documento chamado “Uma Ponte para o Futuro”, parecia um acordo tácito com o mercado, no qual um governo duramente acuado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público trocava um apoio que garantisse a sua sobrevida pela rápida aprovação de uma ambiciosa e impopular agenda liberal.

Esse acordo permitia ao governo tentar salvar os políticos investigados com todo tipo de expediente. Primeiro, Temer fez cortes orçamentários que sufocaram financeiramente as investigações. Depois, apoiou a reforma eleitoral que facilitará a reeleição –e a manutenção do foro privilegiado– dos atuais parlamentares. E para fechar o ano, estendeu e ampliou o tradicional indulto de Natal para cobrir os condenados por corrupção.

Em contrapartida, para atender ao mercado, que era seu único ponto de apoio, Temer cumpriu o que prometeu. Nos últimos dias de 2016, o presidente já havia conseguido reduzir estruturalmente, por longos 20 anos, os gastos com saúde e educação por meio da PEC do teto.

Em seguida, no primeiro semestre de 2017, conseguiu fazer tramitar e aprovar a reforma trabalhista que criou obstáculos para se entrar com ações na Justiça.